Contrariedades da vida

 




Sonhos que parecem coisas simples, como poder deslocar-te para qualquer lugar sem depender de ninguém. Aquele pedaço de papel que diz que és apta a conduzir, aquele desafio que se estende desde que és considerada maior de idade por lei. 
Houve tentativas tantas vezes de tirar a carta, mas nunca houve uma que me marcou tanto como a de antes desta. 
Quando um desejo passa a ser uma coisa tão longincua como quando olhas para a lua e sabes que não a alcanças e perdes o teu eu, perdes a a tua autoestima e sentes medo de tudo o que envolva esse assunto. 
Quando o medo toma conta de ti e voltas a sentir-te aquela criança com três aninhos. 
Quando alguém volta a reabrir feridas e a libertar a caixa de pandora e te faz desistir desse sonho, reduzindo-te a cinzas. 
Tive muito tempo que nem me aproximava de um volante, levei tempo para poder sentar-me frente ele sem sentir vontade de fugir. Antes conduzia...
Consegui estacionar sem medo muito tempo depois, mas se houvesse stress ainda me descontrolava. 
Há uma semana recomecei as aulas de condução noutra escola, com a confiança a crescer em cada aula e em cada passo que dava com o carro. 
Em cada aula, tento avançar na aprendizagem e confio mais em mim e o instrutor mostra-me o caminho...
A cada quilometro percorrido é um eu que vence o medo, ele não foi embora, só ganha menos vezes. 
A cada mudança colocada é um passo para o sonho se realizar.
Cada manobra uma aprendizagem e cada erro uma nova tentativa para na próxima fazer melhor. 
E das cinzas aos poucos renasce uma fénix! 
Posso ter uma doença rara, autismo, PHDA, mas continuo a tentar vencer a dificuldade e voltei a deslocar-me de autocarro coisa que há muito não fazia. 
A par disto o segundo ano de mestrado de informática vai-se fazendo. 
Um diagnóstico não é uma sentença, mas um recomeço diferente do habitual.



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